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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Albinoni e Giazotto- Adágio


Desta vez, uma obra popular. Talvez a obra mais popular de Albinoni, mas que, na verdade, não é de Albinoni. Com certeza a obra mais popular de Giazotto, mas que talvez não tenha sido este quem a compôs, e sim Albinoni.  - "Emmmm!?" Exclamará você, sensível e curioso leitor deste blog. - "Como assim?" Depois me perguntará você ansioso (só não mais que este humilde blogueiro).
É que na verdade, na verdade, o ocorrido foi o seguinte que se segue...



"Era uma vez... do outro lado do oceano, um pequeno país mágico em formato de bota. Lá, todos os tipos de pessoas, ricos, pobres, bonitos, feios, bruxos, corcundas, padres e santos falavam uma estranha língua, escrita com símbolos, notas musicais e linhas, chamada musiquês!
Um certo dia, há quase 100 anos, um rapazinho branquelo encontrou algumas folhas soltas, perdidas numa biblioteca de sua cidade (a grandiosa Pisa), todas escritas em musiquês. Nestas folhas continham, dentre outras coisas e um conjunto de símbolos e linhas, uma bonita canção. Quando o jovem resolveu ler os escritos, um belo som de órgão de tuba soava pelo ar e falava com sotaque do século XVII, dizendo coisas e emitindo sons que encantaram o rapaz. Este jovem, chamado Remo Giazotto resolveu, então, colocar e escrever mais símbolos naquele papel, porém sem adicionar uma linha sequer, fazendo este ainda ficar mais bonito. Vendo que havia conseguido, resolveu, também, publicá-lo,  para que mais pessoas do seu país pudesse ouvir a beleza daquele som estranho, falado com sotaque estranho, porém com algumas alterações feitas por ele. As folhas, então, fizeram um enorme sucesso, todo mundo queria ter uma cópia em casa para ler e ouvir durante todo o tempo de suas vidas.
Albinoni (1671 - 1751)
No certo momento, muito curisos, todos queriam, então, ver os papeis originais. Quando conseguiram, perceberam que ali assinava o nome de Tomaso Albinoni, antigo homenzinho rico do cabelão, já falecido, nascido dentro das gôndolas da cidade de Veneza.  Quando perguntado, antes de distribuir as cópias, quem era o muito criativo compositor daquela beleza, o jovem Remo respondeu: "o nome dele é Tomaso Albinoni!" Porém, depois do sucesso, resolveu assumir de vez que também fez parte do trabalho, dizendo-se também seu criador."
Essa é a pequena história desta linda canção de sotaque barroco, divulgada em musiquês somente no século XX, com algumas modificações.  Na prática, as linhas de baixo (o órgão de tubos) são de Tomaso Albinoni. Já as linhas melódicas, as cordas, são de Remo Giazzoto. Como veremos acima.
Quem interpreta é a Orquestra de Câmara Franz Liszt, da Hungria. Boa audição.

Weslay Mendonça

sábado, 10 de setembro de 2011

Paganini - Caprice No.24, Alexander Markov




Que absurda esta interpretação de Alexander Markov para o 24o Caprice. Paganini provavelmente revirou-se de felicidade umas 1000 vezes em seu túmulo antes do minuto 3:00 desta apresentação, por que depois do pizzicato deve ter voltado a falecer, só que desta vez de ataque no coração. Em umas postagem rápida de começo de fim de semana, este grande violinista russo deve deixar sua marca na história como um dos grandes executores do virtuose italiano. Dom Yehudi Menuhin certa vez disse: "Markov é, sem dúvida, um dos mais brilhantes violinistas dos novos tempos". (Novos tempos pro Menuhin, é claro!). Mas alguém duvida após ver este vídeo? Um espetáculo! Vale a pena ver e rever, com atenção muito especial ao pizzicato! Segurem-se nas cadeiras, meu caros! Deus salve a boa música!

Weslay Mendonça

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Rachmaninoff - Preludio em Si menor - Valentina Igoshina




Talvez seja um equívoco postar uma música lenta de um compositor russo numa sexta feira de ânimos agitados, desejos exacerbados e atenções diluídas... Fins de semana normalmente aniquilam a capacidade de concentração de um cérebro humano, principalmente se a temperatura começa a subir, como está ocorrendo agora em S.Paulo. Mas as alvas mãos de uma bela mulher compensam o risco e, afinal das contas, sempre caem muito bem sobre o teclado de um piano.

A peça, Preludio em Si menor, é de um compositor russo, Serguei Rachmaninoff, e a beldade-intérprete é mais uma vez a Valentina Igoshina, da terra da vodka.

Ela, como tantos dos seus compatriotas, parece ter uma queda e um destino inevitavelmente ligado à música, a música de caráter triste e fatalista. A Rússia, como vocês sabem, é um país acostumado às genialidades densas de artistas como Rachmaninoff, Tchaikovsky, Dostoiewsky, Tolstoi e que afortunadamente se absteve de produzir um Ronnie MacDonald ou um Bozo.

O Preludio em Si menor foi escrito em 1910, período em que "Rach" ainda vivia em sua pátria, portanto antes de se mudar para a terra do Pato Donald, o que viria a acontecer depois da Revolução de 1917.

O início lento, reflexivo e repetitivo se alterna para uma parte central tumultuada que nos leva perigosamente à beira do precipício existencial, mas que para nossa tranquilidade retorna aos motivos iniciais.  Rachmaninoff foi um virtuose do piano, um dos melhores à sua época, portanto não economizou notas e complexa técnica pianistica nesse trabalho.
Rachmaninoff


Deleitem-se então com o Preludio em Si menor de Rachmaninoff na leitura de Valentina Igoshina. Clicando AQUÍ ou AQUÍ vocês poderão fazer download de um arquivo (13 MB) contendo o mesmo Preludio, mas dessa vez interpretado por outro pianista russo, Vladimir Ashkenazy.
                                                                                                   Ernesto D.C.


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Beethoven - Sonata para Violino No. 7 (2o movimento)


A música de Beethoven me compreende ou sou eu quem lha faço? Qual a origem da tamanha intimidade que meu espírito de praxe solitário possui e sempre possuiu com as melodias atemporais da obra do grande compositor? Acho que deve haver uma explicação! Realmente acho que em algum lugar do universo deve haver uma explicação, mas qual seria? // Talvez dissesse-me um físico: "- meu caro, são as vibrações da harmonia do Luigi, que, tamanhas, devem encontrar interferências nas vibrações de seu corpo e de seus ouvidos, resultando em variações constantes de movimentos harmônicos simples e desarmônicos, logo depois" Talvez, com certa ansiedade, completasse depois um músico: "-sim, mas o que realmente há são acordes quebrados na mão esquerda, escalas ascendentes e tensões sonoras incompletas ao longo da obra; fatos estes que, somados, dar-te-ão a sensação contínua de tensão criada e de tensão resolvida, típicas da música do compositor". Por fim, poderia ainda aparecer-me um religioso e dissesse: "-Ludwig possuia um dom de Deus, daqueles que são dados aos homens para fazer na terra a continuação da criação iniciada pela divindade. O que você sente, meu caro, é a intimidade com a própria obra de Deus, expressa através da obra de Ludwig!" // Ai, bom, não me daria por satisfeito, é claro. Afinal, deve ser tudo aquilo e nada, ao mesmo tempo. Ao final das falas de todos e de nenhum, portanto, ficaria eu esperando ainda a chegada de algum beija-flor. E então, quando este chegasse  e sem ainda falar nada, simplesmente voasse a minha frente, escolhendo dentre as flores a mais bonita do jardim. 
Enquanto isso, eu, finalmente, ao som desta Sétima Sonata para Violino (2o movimento) compreenderia, melhor do que ninguém e sem saber as razões científicas, filosóficas ou teológicas do porque estou ouvindo-a com tamanha identificação. E saberia que não é outra coisa senão o fato de ser eu mesmo, naquele momento, o seu compositor. Seria eu mesmo quem, ali,  é o responsável por sua criação. E, assim, seria eu o reverberador do seu resultado tão poético junto aos quatro cantos do mundo que há dentro de mim. E mas do que isso: só, e somente só, aconteceria tal fenômeno para que fosse somente eu próprio, naquele momento, o único a ouvi-la completamente. Eis então a razão da nossa intimidade: sou eu seu compositor, seu mais fiel divulgador e seu mais empolgado ouvinte durante o rápido e intenso momento em que estou ao seu contato. Sem dúvida, é esta a razão de minha intimidade com a música de Luwdig. // Pierre Amoyal e Alexix Wessenburg tocam-na, vejam o vídeo! Viva a obra de Ludwig van Beethoven! 



Weslay Mendonça

sábado, 3 de setembro de 2011

Chopin - Fantasia Improviso Op.66 - Valentina Igoshina



Nessa minha segunda postagem eu ia falar um pouco de Charles Griffes, compositor americano de estilo impressionista, algo tão raro quanto um alemão impressionista. Mas vou deixar essa tarefa para o futuro, já que não conseguí achar um video de qualidade aceitável. Vamos então para Chopin, detentor de um prestígio inabalável tanto entre os críticos empedernidos como entre os consumidores dos chamados "clássicos populares".

A Fantasia-Improviso em Do Sustenido menor para piano Op.66 desse compositor polonês foi editada em 1834 (primeira versão) e em 1835 (versão final). Existem pequenas diferenças entre ambas, apenas um punhado de notas. Aquela que tocamos em presentes tempos é a primeira, mas a que contava com a aprovação por parte do próprio Chopin era a segunda.

A seção inicial da Fantasia-Improviso tem um caráter passional e agitado mas que nos leva a uma contrastante seção central, lírica e sonhadora. Após o devaneio há um retorno às melodias arrebatadoras que ouvimos no início. Portanto, trata-se de uma composição em formato A-B-A (temas iniciais seguidos de temas centrais contrastantes e depois retorno aos temas iniciais), conhecido tecnicamente como "forma de canção". É uma das obras do repertório pianistico mais conhecidas por todos, inclusive é daquelas que me recordo ouvir na infância, e que talvez tenha precipitado meu gosto por música clássica.

A interpretação que temos no video é da linda e talentosa pianista russa Valentina Igoshina, nascida no não tão longinquo ano de 1978 e ganhadora de diversos importantíssimos prêmios internacionais. Ela toca a primeira versão da obra chopiniana.

Já os que desejarem ouvir a segunda versão da Fantasia-Improviso poderão clicar AQUÍ e fazer download do arquivo (apenas 7 MB) que contem a interpretação do "mágico" pianista Arthur Rubinstein.

                                                                                                    Ernesto D.C.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Música clássica é mais ouvida que Rock, Hip Hop e Música Eletrônica em Salvador.

Essa notícia empolgante vem do jornal Correio da Bahia. Segue:

"Música clássica ocupa 6º lugar na preferência dos soteropolitanos."

Ao ligar o rádio, muitos soteropolitanos ainda se surpreendem ao encontrar uma estação que só toca música clássica: a Vida FM 106,1. De forma semelhante, a pesquisa do CORREIO/Instituto Futura, publicada domingo, também causou surpresa ao captar a força que esse gênero musical tem hoje na capital baiana.


Apreciada por 3,8% dos entrevistados, a música clássica ficou em 6º lugar no gosto geral, à frente do rock (3,2%) e do pop rock (2,3%). Se esses dois últimos gêneros fossem unidos, ela perderia uma colocação, mas ainda assim ficaria na cola do samba (4,2%) e do axé (4,3). Além disso, continuaria batendo o hip hop (2,3%), a música eletrônica (1,3%), a bossa nova (0,5) e o jazz (0,3).

O resultado deixou especialistas da área espantados. “É uma excelente novidade, um resultado muito importante!”, comemora o maestro Ricardo Castro, 46 anos. Ele imaginava que a distância entre a música clássica e gêneros mais midiáticos fosse maior. “Quero crer que a chegada do Neojibá ajudou a provocar esse novo interesse”, diz ele, que desde 2007 coordena esse projeto de criação e manutenção de orquestras jovens na Bahia, inspirado no modelo venezuelano El Sistema.

Sem Barreiras Maestro, compositor e professor da Escola de Música da Ufba, Paulo Costa Lima, 56, também se diz impressionado. “Apesar de que eu já sentia que o interesse andava aumentando. Em 2010, por exemplo, tive um programa na rádio Metrópole, em que eu apresentava Beethoven e Bach, misturado com música de candomblé, e ele foi muito bem recebido”.

Tanto Ricardo Castro quanto Paulo Costa Lima ressaltam como a música clássica em Salvador tem rompido limites de classe social, escolaridade e faixa etária. De acordo com a pesquisa do CORREIO, esse gênero ainda atinge, sobretudo, as classes A/B (6,1 %). Mas, proporcionalmente, ele de fato não está tão longe das classes C (4,9%) e D (3,1%). Os resultados mostram que ouvintes com mais de 60 anos são maioria (7,4%), mas adultos jovens, de 30 a 39 anos (4,9% ) e de 20 a 29 anos (3,7%), também são fãs de concertos.

O nível de escolaridade tampouco chega a ser grande impedimento: entre os amantes de Villa-Lobos (1887- 1959) e outros compositores eruditos, 6,7% passaram por um curso de nível superior, enquanto 3,9% possuíam ensino médio e 2,5% tinham ensino fundamental.

“A preferência musical tem muito a ver com oferta. Muitas vezes a pessoa só ouve pagode porque é só isso que chega até ela”, afirma Ricardo. Com as ações do projeto Neojibá, que dá formação musical a jovens de baixa renda e promove concertos a preços populares, ele acredita que o acesso à musica clássica tem se democratizado. “A gente atinge classes C e D. Sem falar que a maioria dos nossos músicos, a priori, não se interessaria por música clássica. São jovens da rede pública de ensino, não são Maristas. E mesmo assim são os melhores do Brasil, sendo elogiados no mundo todo”.

Popularização

Diante do cenário favorável à música clássica, os maestros Ricardo Castro e Paulo Costa Lima acreditam que o gênero vai se popularizar ainda mais.

“Podemos subir mais nessa lista aí!”, garante Ricardo. Ele lembra que, na década de 50, o gênero era sucesso na cidade, lotando o teatro do Iceia, no Barbalho. “Hoje a gente está recuperando terreno e de uma nova forma. Naquela época, nem todos os segmentos da sociedade tinham acesso a concertos como hoje”.

Paulo, por sua vez, sugere que uma nova pesquisa seja feita daqui a quatro anos, para que a evolução seja mensurada. “O desafio é também formar um cidadão ouvinte, que tenha maturidade e consciência crítica. Com isso ele vai rejeitar mercados apelativos e rasteiros”, opina.

domingo, 28 de agosto de 2011

R.Strauss - "Also Sprach Zaratustra"/ "Assim falou Zaratustra" (Completo)






Friedrich Nietszche
No silêncio desta madrugada de sábado para domingo, o lugar do encontro dentre as obras de Friedrich Nietszche, Stanley Kubrick e Richard Strauss. - Pois "está no homem o sentido da natureza! Assim falou Zaratustra!". O que teriam em comum esses três mestres de artes diferentes senão a paixão simultânea pela música e pelo drama?

Nietzsche era fã assumido do drama dionisíaco da música wagneriana. Richard Strauss, um dos maiores expoentes da música dramática alemã pós-wagneriana, assim como da obra do já famoso filósofo bigodudo. Por sua vez, Stanley Kubrick, um dos maiores cineastas de todos os tempos (na opinião singela deste blogueiro), inspirou-se, também, na obra de ambos, Nietszche e Strauss. Não por acaso a abertura deste "Assim falou Zaratustra" de Richard Strauss é também a abertura do filme kubrickiano, digamos assim, "2001, Uma Odisséia no Espaço". Aliás, um dos filmes de maior impacto sonoro que já assisti. Quase um videoclipe de mais de três horas de duração, com cenas de referência para o cinema posterior ao lançamento do filme e com trilha sonora abrangente e diversa.




Richard Strauss



Stanley Kubrick


Strauss baseou "Assim falou Zaratustra", sua obra de Op.30, no poema filosófico em prosa de Nietszche. Trata-se de um Poema Sinfônico de 35 minutos de grande dramaticidade e beleza, que lembra muito a obra do outro Richard, aquele cujo o filósofo das tragédias gregas possuía expressa relação de amor e ódio: Richard Wagner. Zaratustra, para Friedrich, é uma espécie de líder ideal para a humanidade, um pensador dionisíaco. Strauss escreveu essa peça entre 1895 e 1896, regendo-a pela primeira vez em Frankfurt.


E quem seria, enfim, Zaratustra? Lembro de minhas saudosas aulas de História com a queria professora Adriana Botelho no Colégio Militar do Corpo de Bombeiros, quando, pela primeira vez, ouvi falar de Zaratustra (ou Zoroastro) e da religião fundada por esta figura, o Zoroastrismo ou Mazdeísmo, talvez a primeira religião dualista de nossa história, ou seja, capaz de dividir a natureza em Bem e Mal. Sua fé baseava-se na adoração de uma entidade suprema que era uma espécie de Pai da Sabedoria (Aura Mazda ou Ormuz), companheiro dos vivos em sua busca por justiça, por sabedoria, por vitalidade e por imortalidade. Era a religião dos antigos povos persas, tão importantes que foram para o desenvolvimento da civilização ocidental.


E milongas à parte nesta postagem excepcionalmente extensa, por nossa percepção de que o poema sinfônico de Strauss não dispensaria sua completude e essas considerações que aqui as faço, quem interpreta no vídeo é a Orquestra Nacional de Santa Cecília, italiana, sob a regência do igualmente italiano Antonio Pappano. Espero que gostem. Abraços.




Zaratustra ou Zoroastro
Weslay Mendonça