Essa notícia empolgante vem do jornal
Correio da Bahia. Segue:
"Música clássica ocupa 6º lugar na preferência dos soteropolitanos."
Ao ligar o rádio, muitos soteropolitanos ainda se surpreendem ao encontrar uma estação que só toca música clássica: a Vida FM 106,1. De forma semelhante, a pesquisa do CORREIO/Instituto Futura, publicada domingo, também causou surpresa ao captar a força que esse gênero musical tem hoje na capital baiana.
Apreciada por 3,8% dos entrevistados, a música clássica ficou em 6º lugar no gosto geral, à frente do rock (3,2%) e do pop rock (2,3%). Se esses dois últimos gêneros fossem unidos, ela perderia uma colocação, mas ainda assim ficaria na cola do samba (4,2%) e do axé (4,3). Além disso, continuaria batendo o hip hop (2,3%), a música eletrônica (1,3%), a bossa nova (0,5) e o jazz (0,3).
O resultado deixou especialistas da área espantados. “É uma excelente novidade, um resultado muito importante!”, comemora o maestro Ricardo Castro, 46 anos. Ele imaginava que a distância entre a música clássica e gêneros mais midiáticos fosse maior. “Quero crer que a chegada do Neojibá ajudou a provocar esse novo interesse”, diz ele, que desde 2007 coordena esse projeto de criação e manutenção de orquestras jovens na Bahia, inspirado no modelo venezuelano El Sistema.
Sem Barreiras Maestro, compositor e professor da Escola de Música da Ufba, Paulo Costa Lima, 56, também se diz impressionado. “Apesar de que eu já sentia que o interesse andava aumentando. Em 2010, por exemplo, tive um programa na rádio Metrópole, em que eu apresentava Beethoven e Bach, misturado com música de candomblé, e ele foi muito bem recebido”.
Tanto Ricardo Castro quanto Paulo Costa Lima ressaltam como a música clássica em Salvador tem rompido limites de classe social, escolaridade e faixa etária. De acordo com a pesquisa do CORREIO, esse gênero ainda atinge, sobretudo, as classes A/B (6,1 %). Mas, proporcionalmente, ele de fato não está tão longe das classes C (4,9%) e D (3,1%). Os resultados mostram que ouvintes com mais de 60 anos são maioria (7,4%), mas adultos jovens, de 30 a 39 anos (4,9% ) e de 20 a 29 anos (3,7%), também são fãs de concertos.
O nível de escolaridade tampouco chega a ser grande impedimento: entre os amantes de Villa-Lobos (1887- 1959) e outros compositores eruditos, 6,7% passaram por um curso de nível superior, enquanto 3,9% possuíam ensino médio e 2,5% tinham ensino fundamental.
“A preferência musical tem muito a ver com oferta. Muitas vezes a pessoa só ouve pagode porque é só isso que chega até ela”, afirma Ricardo. Com as ações do projeto Neojibá, que dá formação musical a jovens de baixa renda e promove concertos a preços populares, ele acredita que o acesso à musica clássica tem se democratizado. “A gente atinge classes C e D. Sem falar que a maioria dos nossos músicos, a priori, não se interessaria por música clássica. São jovens da rede pública de ensino, não são Maristas. E mesmo assim são os melhores do Brasil, sendo elogiados no mundo todo”.
Popularização
Diante do cenário favorável à música clássica, os maestros Ricardo Castro e Paulo Costa Lima acreditam que o gênero vai se popularizar ainda mais.
“Podemos subir mais nessa lista aí!”, garante Ricardo. Ele lembra que, na década de 50, o gênero era sucesso na cidade, lotando o teatro do Iceia, no Barbalho. “Hoje a gente está recuperando terreno e de uma nova forma. Naquela época, nem todos os segmentos da sociedade tinham acesso a concertos como hoje”.
Paulo, por sua vez, sugere que uma nova pesquisa seja feita daqui a quatro anos, para que a evolução seja mensurada. “O desafio é também formar um cidadão ouvinte, que tenha maturidade e consciência crítica. Com isso ele vai rejeitar mercados apelativos e rasteiros”, opina.