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sábado, 23 de abril de 2011

Especial Semana Santa (Sexta-feira Santa): Martírio e Morte

Para continuarmos em nosso Especial Semana Santa: a Sexta-feira Santa, que simboliza a poesia da prisão, martírio e morte de Jesus Cristo. Para cantar este momento, mais uma vez visitemos Sebastian Bach, com o Melhor da Paixão Segundo São Mateus, em várias orquestrações.

As Três Negações de Pedro.

Cristo, traido por Judas e entregue aos Romanos, havia anunciado a Pedro, um dos seus mais fieis seguidores, que este o negaria por três vezes ainda antes de sua morte. O apóstolo desacreditou da afirmação e disse não ser capaz de fazê-lo. No entanto, conta a história, que assim foi feito em três ocasiões que perguntaram a Pedro se ele conhecia aquele homem preso e martirizado e, nas três, o velho apóstolo respondeu: "não, eu não o conheço." Após perceber que a profecia o usara, o apóstolo caiu em profundo arrependimento:

"Tende piedade de mim, meu Deus.
Causa do minhas lágridas!
Olha aqui, meu coração e meus olhos
choram amargamente em sua frente
Tende piedade, meu Deus."

Uma das árias mais bonita, senão a mais bonita, da Paixão Segundo São Mateus, de Bach. Um canto de dor e arrependimento. Erbarme Dich, mein Gott. (Tende Piedade de mim, meu Deus). Nesta versão, cantada pela contralto Delphine Galou.


O arrependimento de Judas.

Judas, após perceber o sofrimento e o tamanho da injustiça acometida contra Jesus, arrepende-se. Jogas suas moedas no chão, pois não as considera digna de ofertas. Valiam o preço que pediu pelo sangue de Cristo, oferece-os de volta aos romanos. Canta:

"Devolvei-me o meu Jesus
Vede: o dinheiro, o preço do sangue
o filho arrependido atira-o em vossos pés"

É a ária "Gebt min meiner wiener Jesun!" (Devolvei-me o meu Jesus), cantada pelo Contrabaixo: Waltter Berry, em versão de Karl Richter.



Jesus a caminho da morte.

Com a coronha de espinhos, carregando uma pesada cruz de madeira, Cristo caminha em direção ao Golgota. O sofrimento banha sua face. A fraqueza do corpo se complementa a fortaleza de seu espírito. Cantam os versos do Coral "O Halpt voll Blut und Wunden", da Paixão Segundo São Mateus de Bach:

"Ó fronte ensaguentada e ferida
doida e escarnecida
Ó fonte ferida por uma coroa de espinhos
para a zombaria!
Ó fronte antes belamente adornada
com a pureza das honras
mas agora assim atacada:



Eu te saúdo,
tu, nobre rosto
ante o qual treme e teme o juizo final
Como cospem sobre ti.
Quem apagou de forma tão infame
a bela luz dos teus olhos?"


No vídeo abaixo, executado pelo Coral do Colégio Vocal de Gent, uma boa versão.



Jesus está morto.


Para finalizar, agora um pedaço da magia da Missa em Si, também de Bach. Trata-se do Coral: "Cruxifixus", aqui executado". Relembra, em Oratorium, a cruxificação e morte de Jesus. Quem executa é Coral da Universidade de Varsóvia, regido por Irina Bogdanovich.


"Crucifixus etiam pro nobis
sub Pontio Pilato,
passus et sepultus est."

"Foi cruxificado por nós
submeteu-se a Pôncio Pilatus
morto e sepultado está"

Weslay Mendonça