"Quando corpus morietur fac ut animae donetur paradisi gloria. Amén."Diz o último verso do poema em latin "Stabat Mater", atribuido à Jacopone da Todi, traduzido para o português: "Quando meu corpo morrer, faz com que minha alma merece a glória do Paraíso. Amém". O poema medieval, dedicado às lagrimas de Maria ao ver o filho crucificado, classifica-se no rol das letras sacras mais musicadas ao longo da história da música. Foram vários os compositores, desde Antônio Vivaldi, Giovanni Palestrina, passando por Joseph Haydn e Gioseppe Verdi, chegando, na atualidade, através de Ivo Pärt. Uma das versões mais famosas é a do compositor barroco italiano Giovanni Pergolesi (1710 -1736), que eternizou o poema em uma bela versão escrita nos meados dos poucos 26 anos de vive em que possuiu.


No vídeo acima, a bela voz de um cara que sou suspeito pra falar por já ter, em vários momentos, me declarado seu fã: Philip Jaroussky. A obra faz-se, então, para contratenor (Jaroussky) e soprano (Véronique Gens), que cantam, aqui, o verso escrito em latin do início do post. Inicia-se com um bonita introdução de uma ilustre camerata de cordas tipicamente barroca (destaque para a presença não tão comum, mas significativa da harpa), seguindo-se de um dueto largo entre as duas vozes. Logo após, para cantar o "Amém" com um tom de Allegro Finalle (denotador de esperança, de fé), após um pequeno intervalo mudo, as vozes retornam imponentes.
Weslay Mendonça