A tragédia na Somália e o atual egoísmo de ser Feliz.
Perdendo a mãe aos 7 anos, Erik Satier foi criado por um tio boêmio. Ingressou aos 14 no Conservatório de Paris, cidade onde nasceu, quando seus professores o acusaram de preguiçoso, medíocre e sem senso de ridículo. Tocava em cabarés e cafés, guardando muito desse estilo de tocar em suas composições. Era excêntrico e irônico, foi membro da Ordem Rosacruz e chegou a fundar uma igreja própria, da qual era o único fiel. Tinha uma coleção de ternos cinza que nunca usou. Aos 40 anos surpreende voltando a estudar música, na Schola Cantorum de Paris. Morre de cirrose após anos de bebedeira. Só então, atrás do seu piano, amigos encontram a partitura perdida há quase 30 anos de uma de suas grandes composições: Jack-in-the-box. Era um símbolo entre os jovens compositores da época. Inventou a música ambiente, gritando por vezes aos espectadores que se mexessem ao invés de ficarem parados ouvindo-a, e introduziu sons como sirenes e máquinas de escrever em partitura de orquestra. Também é considerado cubista, minimalista, e graças a uma obra sua (o balé Parade) existe a palavra "surrealismo". Satie não reagia muito bem a críticas. Quando um crítico atacou a estreia de Parade, ele mandou-lhe um cartão postal dizendo: "Sr. crítico, eu sei que você é apenas um cu, porém um cu sem música. Ass.: E. Satie. O resultado foi 15 dias de cadeia para Satie. Aqui, sua triste peça para piano "Lenta e Dolorosa", da sequência Gymnopedies.
Weslay Mendonça
Não, não podemos nos sentir felizes.
Talvez, sintamo-nos alegres, mas a alegria difere da felicidade por não possuir um caráter estático ou eterno. A alegria é o sentimento espontâneo e passageiro que emerge de momentos de prazer, específicos. Talvez sintamos "alegrias" através das coisas desta ordem, mas felicidade, não. É impossível. No caso particular deste blogueiro idealista, nem sinto e nem quero senti-la por estes dias, pois neste caso terei abandonado qualquer sonho, terei abandonado a própria capacidade de viver no mundo, no sentido mais profundo da acepção Viver no Mundo. No dia em que me sentir feliz, terei entrado e concordado com tudo de anti-vida, tudo de anti-humano, tudo de anti-religioso que existe dentro de um lógica individualista, maldosa, pecaminosa (em termos teológicos).
Pois a verdadeira felicidade não é um dado, nem um fim possível dentro das lógicas e das morais vigentes. A verdadeira felicidade é um potencial, um vir a ser est-Ético, transcedente as atuais estruturas. É um possível simultaneamente temporal (terreno) e escatológico (transcendente). Podemos entendê-la, por exemplo, como a concretização do Reino de Deus (como gostaria Boff ou Dussel) ou como uma sociedade justa, limpa, amorosa, fraterna, sexualizada, liberta, harmônico-caótica, fractal, orgânica, política, vital, homeostática, trans-tática, equilibrada. Nossa geração, no máximo, pode buscá-la, querer vivê-la, lutar por ela e conseguir vitórias significativas (alegrias profundas, caminho para a felicidade: um processo). Assim, estaremos fazendo juz a nossa capacidade de Sermos Humanos, como a de nos fazer insistentemente a pergunta: o que podemos fazer?
Mais notícias sobre a Somália vide aqui.
Talvez, sintamo-nos alegres, mas a alegria difere da felicidade por não possuir um caráter estático ou eterno. A alegria é o sentimento espontâneo e passageiro que emerge de momentos de prazer, específicos. Talvez sintamos "alegrias" através das coisas desta ordem, mas felicidade, não. É impossível. No caso particular deste blogueiro idealista, nem sinto e nem quero senti-la por estes dias, pois neste caso terei abandonado qualquer sonho, terei abandonado a própria capacidade de viver no mundo, no sentido mais profundo da acepção Viver no Mundo. No dia em que me sentir feliz, terei entrado e concordado com tudo de anti-vida, tudo de anti-humano, tudo de anti-religioso que existe dentro de um lógica individualista, maldosa, pecaminosa (em termos teológicos).
Pois a verdadeira felicidade não é um dado, nem um fim possível dentro das lógicas e das morais vigentes. A verdadeira felicidade é um potencial, um vir a ser est-Ético, transcedente as atuais estruturas. É um possível simultaneamente temporal (terreno) e escatológico (transcendente). Podemos entendê-la, por exemplo, como a concretização do Reino de Deus (como gostaria Boff ou Dussel) ou como uma sociedade justa, limpa, amorosa, fraterna, sexualizada, liberta, harmônico-caótica, fractal, orgânica, política, vital, homeostática, trans-tática, equilibrada. Nossa geração, no máximo, pode buscá-la, querer vivê-la, lutar por ela e conseguir vitórias significativas (alegrias profundas, caminho para a felicidade: um processo). Assim, estaremos fazendo juz a nossa capacidade de Sermos Humanos, como a de nos fazer insistentemente a pergunta: o que podemos fazer?
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