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domingo, 10 de abril de 2011

Stravinsky: Suite Firebird (Pássaro de Fogo), início.



Em meados de 2007, na ocasião da Guerra do Kosovo, escrevi uma poesia, que se segue, com o título de Pássaro de Fogo:



Chegam os canhões,
chegam os aviões
chega o Pássaro de Fogo

O bico bicudo,
sangra inocente
os inocentes

A noite é clareada da
falsa beleza medonha
incêndio nos céus

Uma ofuscante luz sob as estrelas
voando longa e efêmera
que vicia os olhos e convoca os cães

A criança contempla a beleza da morte
ao som rápido da luz que voa
E que chega e que voa

Enquanto isso
seu canto que agudo
agrava-se progressivamente
Aaaaaaaaaaaaaaah...

O rastro reflete a imponência
e prepotência dos homens
sobre suas cabeças cortadas
tecnológicamente

A solidão é veloz e triste
a tristeza veloz e só
a vida veloz e triste
e a morte veloz e só...

Homenagem da Google à Stravinsky
O vídeo mostra a abertura da obra de mesmo nome de Igor Stravynsky, música de vanguarda, sons de vanguarda do início do século XX. A poesia não tem necessariamente a ver com o tema do Balé (a obra foi escrita para um corpo de Baile), apesar de tanto aquela quanto este usarem como mote a gerra, só que em contextos diferentes. Igor conta a história do mágico Pássaro de Fogo em batalha com o demônio Kashchey. Talvez na poesia o demônio seja a própria beleza mortal do céu em chamas, que seduz ao mesmo tempo que anuncia o seu propósito, a morte. Análises a parte (ou nem tanto) voltando para a música especificamente, esta é composta por orquestração inusitada para época, o que fez confusão no próprio corpo de baile para a qual foi composta. Na estréia, muitos dançarinos erraram suas marcações e ficou famosa a desculpa coletiva de que " a culpa é da orquestração". O desencontro, no entanto, não era outro: o conceito da música do russo andava alguns anos na frente da técnica antiquada e do conceito dos dançarinos do referido Balé.

Weslay Mendonça

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