Em meados de 2007, na ocasião da Guerra do Kosovo, escrevi uma poesia, que se segue, com o título de Pássaro de Fogo:
O vídeo mostra a abertura da obra de mesmo nome de Igor Stravynsky, música de vanguarda, sons de vanguarda do início do século XX. A poesia não tem necessariamente a ver com o tema do Balé (a obra foi escrita para um corpo de Baile), apesar de tanto aquela quanto este usarem como mote a gerra, só que em contextos diferentes. Igor conta a história do mágico Pássaro de Fogo em batalha com o demônio Kashchey. Talvez na poesia o demônio seja a própria beleza mortal do céu em chamas, que seduz ao mesmo tempo que anuncia o seu propósito, a morte. Análises a parte (ou nem tanto) voltando para a música especificamente, esta é composta por orquestração inusitada para época, o que fez confusão no próprio corpo de baile para a qual foi composta. Na estréia, muitos dançarinos erraram suas marcações e ficou famosa a desculpa coletiva de que " a culpa é da orquestração". O desencontro, no entanto, não era outro: o conceito da música do russo andava alguns anos na frente da técnica antiquada e do conceito dos dançarinos do referido Balé.
Chegam os canhões,
chegam os aviões
chega o Pássaro de Fogo
chegam os aviões
chega o Pássaro de Fogo
O bico bicudo,
sangra inocente
sangra inocente
os inocentes
A noite é clareada da
falsa beleza medonha
incêndio nos céus
incêndio nos céus
Uma ofuscante luz sob as estrelas
voando longa e efêmera
que vicia os olhos e convoca os cães
que vicia os olhos e convoca os cães
A criança contempla a beleza da morte
ao som rápido da luz que voa
E que chega e que voa
Enquanto isso
seu canto que agudo
agrava-se progressivamente
Aaaaaaaaaaaaaaah...
seu canto que agudo
agrava-se progressivamente
Aaaaaaaaaaaaaaah...
O rastro reflete a imponência
e prepotência dos homens
sobre suas cabeças cortadas
tecnológicamente
A solidão é veloz e triste
sobre suas cabeças cortadas
tecnológicamente
A solidão é veloz e triste
a tristeza veloz e só
a vida veloz e triste
e a morte veloz e só...
a vida veloz e triste
e a morte veloz e só...
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| Homenagem da Google à Stravinsky |
Weslay Mendonça

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