A Rádio Clássica traz, a partir de hoje, postagens especiais referentes ao tão importante evento do calendário ocidental: a Semana Santa. É uma data mística para mim, em particular. Trata-se da simbologia de um dos acontecimentos poéticos mais importantes da história da humanidade. Digo "poético" para agradar, simultaneamente, crentes e céticos, pois a poesia da narrativa dos últimos dias de Cristo é inegável. Do mesmo modo que não se pode negar a importância do evento para todo o andamento da carroagem do tempo da cultura humana, mais particularmente para a cultura ocidental, a partir de então. Foi pela Paixão, Morte e Ressuceição de Cristo que se escreveu capítulos impostantes como o auge cristão do Império Romano, o apogeu e a queda de Constantinopla, mais de 1000 anos de Idade Média, a lógica contracultural da Renascença, da Contra-reforma (Barroco), enfim. Os ensinamentos de Cristo não chegariam até os dias atuais sem o mistério final dos momentos da Paixão de Cristo e isso, crentes ou céticos na veracidade do evento, ninguém pode negar. Uma poética, uma narrativa, uma fato, um fenômeno de fundamental importância para nós compreendermos nossa história e o sentido histórico-cultural de nossa existência como sociedade e como indivíduos.
E para começar, a Quinta-feira Santa. A Última Ceia (em Latin "Novissima Cena"). O dia de hoje simboliza o último encontro de Jesus com todos os seus doze apóstolos, o anúncio da traição de Judas com um beijo (sua entrega aos oficiais romanos) e sua, consequente, prisão. E para começar nossa homenagem, o vídeo acima. Trata-se da Sacra (para não dizer sagrada) Paixão segundo São Mateus, de Johann Sebastian Bach. No caso, uma ária: "Blute nur, du liebes Herz!". A lindíssima sopra no Ianque, Helen Donath, acompanhada por Orquestração do maestro Karl Richter. Aqui, o Messias anuciava aos apóstulos, na Ceia, a traição de um deles. Judas negociaria com os romanos a sua entrega à prisão. O canto, que chora o infortúnio da traição, diz:
Sangra, querido coração!
O menino que criaste,
que amamentaste no teu peito,
ameaça assassinar-te,
pois converteu-se em serpente.
"Blute nur, du liebes Herz!
Ach, ein Kind, das du erzogen,
Das an deiner Brust gesogen,
Droht den Pfleger zu ermorden,
denn es ist zur Schlange worden."
Agora, por hoje, vamos com "La Cena del Signore" (A Ceia do Senhor), do compositor italiano do século XIX Lourenzo Perosi. Aqui, a orquestra de Pierangelo Pelucchi, com tenor infelizmente não reconhecido, canta, da sua Passione Secondo San Marco, este momento cantata-coral.
Bom, por hoje é só. Amanhã, dia da caminhada pro calvário e dia da morte, traremos novos bons vídeos. Abraços.
Weslay Mendonça
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