É muito bom ter nomes como Heitor Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno e Antônio Carlos Gomes reconhecidos internacionalmente. Cada qual, de sua forma, e ao seu tempo, representantes do Brasil, dos brasileiros e de nossa cultura a nível internacional. A Ária Cantilena da Bachiana Brasileira de No.5 é, com certeza, a ária em língua portuguesa mais cantada internacionalmente, por nomes como Bidu Sayão, Katherine Battle, Éva Marton, dentre outras. No vídeo, escolhi uma interpretação bem recente, de uma jovem sopano argelina, promissora no cenário da música clássica internacional. Trata-se da bela e já badaladíssima no rol parisiense Amel Brahin que, apesar de jovem, já desponta como uma das grandes vozes do século XXI. No web sítio francês de música clássica www.altamusica.com, a jovem se apresenta:
"Eu sou de Argel e comecei tocando violino. Meu avô era amante de música clássica e tocava tuba em uma banda! Então, a paixão pela música, na minha família, pulou uma geração. Mas e os meus pais? Meu pai é um engenheiro, incentivou seus quatro filhos em seu caminho. No entanto, também tenho um irmão que é um violinista em Paris. O ponto decisivo em minha vida veio quando eu estava procurando um meio de expressão de momentos difíceis que tive na Argélia."
Amel Brahin
E o Villa-Lobos? As Bachianas Brasileiras são sua homenagem à Bach. E, especificamente, a Bachiana No.5 seja, destas, a mais conhecida em completude, ou seja, do começo ao fim. Villa-lobos era um exímio cellista e, vai ver por isso, optou pela valorização do instrumento da obra, em contraponteados com a voz de uma soprano solista. (Aqui, Amel Brahin). A Ária, especificamente, começa com um belo pizzicato à acompanhar um delicado contraponto. A soprano entra em um vocalise sem palavras, ofuscado por um dos cellos, entoando uma linha vocal de típico sabor brasileiro. A seção do meio baseia-se em um poema de Ruth Valadares Correa, um hino à lua. Retorna o tema da abertura, agora com o sussurrar da soprano sobre a melodia.
Abaixo, segue-se a letra da, também brasileira, Ruth Valadares Correa:
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
cruza no espaço sonhadora e bela
Surge no infinito a lua docemente
enfeitando a tarde qual meiga donzela
que se apressa a linda sonhadora mente
em anseios d'alma para ficar bela
grita o céu, a terra, toda a natureza
cala a passarada aos seus tristes queixumes
e empresta ao mar toda a sua beleza
Suave a luz da lua desperta agora
a cruel saudade que ri e que chora
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
cruza no espaço sonhadora e bela.
Boa apreciação!
Weslay Mendonça
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