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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

J.S. Bach - Agnus Dei da Missa em Si... Música para Meditar?



Em alguns dias de tristeza profunda e necessidade de renovação, paramos, nos isolamos, e queremos nada mais que ficar sozinhos, pensando sobre nossa vida. Este ato especificamente humano de "refletir-se", voltar o que somos para pensar o que somos, ou seja, sermos objeto de nosso próprio estudo, chamamos de meditação. Ora, a capacidade de meditar é a característica básica de Ser Humano. Mas aqui então eu me pergunto, será que todas as formas de meditação são saudáveis? E a resposta é óbvia: não, não são. Existem meditações em diversos níveis de importância para nós e para nos conhecermos. Níveis estes que vão dos mais neuróticos/ racionalistas aos mais sensíveis, realistas. A meditação neurótica é aquela que se afasta da realidade, tentando explicá-la. É aquela cuja lógica é mecanicista, matemática, em uma relação linear de causas e efeitos. E termina, buscando nos fazer entender mais sobre nós mesmos, nos fazendo construir para nós qualquer coisa como uma personagem, um avatá, distante do que somos de verdade, do que vivemos e do que podemos viver. Por outro lado, no extremo oposto, está a meditação sensível: àquela que pensamos com base em nossos sentimentos. Sua lógica é conexa-desconexa, contraditória, intuitiva, afetiva, complexa. Nesta forma de meditação, conseguimos encontrar maiores relações entre o objeto que construímos sobre nós e nós mesmos. É uma meditação saudável, perceptível de nossas potencialidades para a resolução de nossos problemas, é nosso Oráculo. Acho que esta é a diferença entre uma meditação deprimente e outra "bem sucedida". E como conseguir uma meditação "bem sucedida?", bom creio que não há forma ou fôrma. Não é uma receita de bôlo. Mas uma coisa eu tenho certeza, mecanismos que potencializem os nossos sentidos são o 1o passo para conseguirmos uma boa meditação. É como se precisássemos nos perceber através de nossos sentidos para, depois, sentindo quem somos, pensarmos em quem somos e o que fazer com a nossa vida. Incenso, olhos fechados, percepção corporal e, claro, uma boa audição. Para meditar, então, nada melhor que a música de Bach.

No vídeo, a Münchener Bach Chor & Orchester regida pela grandíssimo maestro Karl Richter e solada pela voz potente e doce de uma contralto bachiana, cujo nome infelizmente não tenho, é uma música em oferecimento à sua meditação e apreciação, caro leitor. Trata-se do Agnus Dei da Grande Missa ou Mass In B Menor. A música inicia-se com um belo e sedutor jogo de violinos, harmonizados por Baixos e Cello, ao fundo. Esse inicio é preparatório para a entrada da Contralto, que entra celeste, cantando "Agnus Dei". Ao longo da peça, a voz canta e é respondida por inserções coerentes do violino, todas ressentimentos da introdução. Quando a voz pára, por um instante, retorna o tema do violino, agora mais vigoroso, mais forte e mais encorpado. Segue-se, novamente, o jogo voz com resposta dos violinos. Finaliza-se com os violinos, assim como tudo começou. Profunda! Meditativa! Bachiana!

Weslay Mendonça

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