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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Beethoven - Sonata para Violino No. 7 (2o movimento)


A música de Beethoven me compreende ou sou eu quem lha faço? Qual a origem da tamanha intimidade que meu espírito de praxe solitário possui e sempre possuiu com as melodias atemporais da obra do grande compositor? Acho que deve haver uma explicação! Realmente acho que em algum lugar do universo deve haver uma explicação, mas qual seria? // Talvez dissesse-me um físico: "- meu caro, são as vibrações da harmonia do Luigi, que, tamanhas, devem encontrar interferências nas vibrações de seu corpo e de seus ouvidos, resultando em variações constantes de movimentos harmônicos simples e desarmônicos, logo depois" Talvez, com certa ansiedade, completasse depois um músico: "-sim, mas o que realmente há são acordes quebrados na mão esquerda, escalas ascendentes e tensões sonoras incompletas ao longo da obra; fatos estes que, somados, dar-te-ão a sensação contínua de tensão criada e de tensão resolvida, típicas da música do compositor". Por fim, poderia ainda aparecer-me um religioso e dissesse: "-Ludwig possuia um dom de Deus, daqueles que são dados aos homens para fazer na terra a continuação da criação iniciada pela divindade. O que você sente, meu caro, é a intimidade com a própria obra de Deus, expressa através da obra de Ludwig!" // Ai, bom, não me daria por satisfeito, é claro. Afinal, deve ser tudo aquilo e nada, ao mesmo tempo. Ao final das falas de todos e de nenhum, portanto, ficaria eu esperando ainda a chegada de algum beija-flor. E então, quando este chegasse  e sem ainda falar nada, simplesmente voasse a minha frente, escolhendo dentre as flores a mais bonita do jardim. 
Enquanto isso, eu, finalmente, ao som desta Sétima Sonata para Violino (2o movimento) compreenderia, melhor do que ninguém e sem saber as razões científicas, filosóficas ou teológicas do porque estou ouvindo-a com tamanha identificação. E saberia que não é outra coisa senão o fato de ser eu mesmo, naquele momento, o seu compositor. Seria eu mesmo quem, ali,  é o responsável por sua criação. E, assim, seria eu o reverberador do seu resultado tão poético junto aos quatro cantos do mundo que há dentro de mim. E mas do que isso: só, e somente só, aconteceria tal fenômeno para que fosse somente eu próprio, naquele momento, o único a ouvi-la completamente. Eis então a razão da nossa intimidade: sou eu seu compositor, seu mais fiel divulgador e seu mais empolgado ouvinte durante o rápido e intenso momento em que estou ao seu contato. Sem dúvida, é esta a razão de minha intimidade com a música de Luwdig. // Pierre Amoyal e Alexix Wessenburg tocam-na, vejam o vídeo! Viva a obra de Ludwig van Beethoven! 



Weslay Mendonça

3 comentários:

  1. Weslay, essa sonata de Beethoven é uma das que me trazem ótimas lembranças do meu início de paixão pela música clássica. Eu a ouvia muito numa interpretação de Isaac Stern, mas aquí ela está tambem muito bem interpretada.

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  2. Dentre as sonatas para violino é dificil para mim dizer qual que gosto mais, Er. Ao contrário de vc, para mim elas não trazem recordações. Pelo menos até hoje não. Mas me trazem uma energia vivencial, uma força, que só quem passa por uma seção de psicoterapia poderia entender do que eu estou falando. Elas são proativa comigo!

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  3. Fazia tempo que não visitava o RC meu amigo, mas vim agora e me deparei com essa beleza. Congratulations!

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