Marcha Fúnebre, parte 2/2.
O ano de 1905 é lendário no período de véspera da revolução russa de 1917 por talvez ter sido o primeiro grande evento sangrento, antecessor daqueles que percorreria todo o caminhar do século XX naquele país. Em um país ainda czarista, um grupo de camponeses unidos marcharam em 9 de Janeiro daquele ano para frente do Paço de Nicolau II. Os manifestantes, em sua maioria famintos, maltrapilhos, gritavam ironicamente "Deus Salve o Czar", na ocasião em que carregavam consigo um abaixo assinado pedindo reformas, como a reforma agrária e a liberdade religiosa. O Czar, por sua vez, ordenou que seus homens debandassem a população, o que ocorreu sob a forma de um massacre, o famoso "Domingo Sangrento". Este dia ficou marcado na história da revolução como um ato de bravura do povo e covardia das elites, que foi lembrado por praticamente toda a vida da URSS. Na ocasião de um ato rememorativo, Shosta escreveu esta bela sinfonia, bem a sua cara: intensa, densa, dramática. A 11o. Sinfonia de Dimitri Shostakovich narra um pouco da história de 1905 através de seus quatro movimentos. Aqui ouviremos, sob a batuta do suiço Charles Dutoit, a "Marcha Fúnebre", um belíssimo movimento desta sinfonia, o mais bonito, em minha singela opinião. Inicia-se com um pizzicato, como se pode ouvir. Seguido da repetição densa de um tema de origem russa até a quase exaustão da dramaticidade, quando entram novos elementos, puxados por metais. É uma marcha, segue ritmo de marcha, mas uma marcha triste, fúnebre.
Weslay Mendonça

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