Quem me conhece, sabe que tenho alguns dedos com relação ao estilo
apoteótico de André Rieu, mas há uma coisa que não posso negar, nem eu, nem ninguém: o cara possui o mérito de popularizar a música instrumental, ou pelo menos parte dela, ou pelo menos a parte dela que lhe convém transcrever à formatos mais ou menos despersonalizados, mais ou menos popularescos, com nada ou quase nada da emoção que esta, fosse interpretada originalmente, traria em escala muito maior. Bom, tirando sua capacidade de deixar popular músicas instrumentais em detrimento de sua sensibilidade original, neste vídeo, isso não acontece tanto. Rieu não modifica tanto a música original, chega ser pouco perceptível suas intervenções harmônicas e não há, aqui, grandes invenções. Por que seria? Por que o Fortuna, do Carmina Burana de Orff, por si só, possui um forte apelo apoteótico, sendo desnecessário grande intervenção de arranjos de Rieu para sua interpretação em estilo "modificar para ser popular". Bom, só para cosntar que não sou contra a popularização da música clássica, muitíssimo pelo contrário: esse blog serve para isso. O que eu gostaria era que as pessoas gostassem da música clássica assim como elas são. É como se Rieu pusesse açucar em vinho do Porto, mas não ensinasse a se gostar de tomar o autêntico, raro e privilegiado sabor da bebida original. Bom, "Ó Fortuna" (Ó Sorte) é um poema que faz parte dos manuscritos de Carmina Burana, criado aproximadamente entre os anos de 1100 e 1200. Este poema é dedicado à Fortuna, deusa romana da sorte e da esperança. O poema foi escrito em latim medieval sem levar a métrica latina clássica; ao invés disso, foi escrito com um estilo originado do alto alemão: o Vagantenlieder, um estilo típico dos goliardos. Sua fama atual em todo o mundo se deve ao fato de que Carl Orff compôs a música para este poema e colocou como parte de sua cantata Carmina Burana. Fortuna em latim é um falso cognato com o português, e significa sorte, e não riqueza material, como costumamos significar em nossa língua. A imagem acima é de Carll Orff fumando seu cachimbo. Boa audição!
Weslay Mendonça
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