
Mais um clássico do período barroco, componente da obra de Johann Sebastian Bach. O BWV 578 é a abertura da Arte da Fuga, uma compilação de fugas (fugues) compostas pelo mestre alemão especialmente para o órgão de tubos (ou órgão de Igreja). Este instrumento musical é uma verdadeira obra arquitetônica dos templos religiosos românicos e góticos (principalmente). Eram os principais instrumentos de teclados (na verdade de sopro, por ser composto de um sistema de tubos paralelos movidos por ar) do século XVII europeu. Geralmente, eram instrumentos tão grandiosos que faziam parte da estrutura das igrejas. Mas... e o que é uma fuga? Toda fuga é baseada num tema principal chamado de "sujeito". Este "sujeito" sempre expõe-se solitário no começo da música, sendo coberto, logo depois, por uma outra voz que o repete com variações tonais e certa liberdade. Esta "repetição supratonal" pode ter mais de duas vozes, mas sempre sobrepondo-se ao sujeito expresso anteriormente. Após esta exposição do sujeito em várias vozes e variações, há um desenvolvimento. Em Bach, esse desenvolvimento muitas vezes remete-se ao sujeito inicial, porém sempre variante em tonalidade e liberdade. No vídeo em questão, percebe-se isso claramente. Ouvir uma música com tantas variações em um instrumento de timbre tão preconceituosamente utilizado em filmes americanos como sinônimo de terror exige disponibilidade e atenção. Quem o faz, eu garanto, terá uma experiência singular. Eu, particularmente, possuo vício nesta obra de Bach. Sinto falta de sua intensidade e beleza. Tenho, sempre, a impressão de que isso sim é música gótica/ barroca de verdade.
Weslay Mendonça
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