O balé "Le Sacre du Printemps", como é internacionalmente conhecido, foi composto por Igor Stravinsky para a coreografia homônima de Vaslav Nijinky em uma época em que os artistas russos climatizavam-se à temperatura de tempos bolcheviques. Sua música é largamente conhecida como uma das maiores, mais influentes e mais reproduzidas composições da história da música do Século XX, sendo um ícone de toda música erudita por ter sido considerada a obra que marca o início do Modernismo . Considera-se que ela inovou em quase todos os aspectos músicais correntes na época : estrutura rítmica, orquestração, timbrística, forma, harmonia, uso de dissonâncias, e particularmente uma valorização da percussão acima da harmonia e melodia como nunca tinha ocorrido antes. Stravinsky, com seu passo atonal, é um dos antecedentes da música dodecafônica. Desafiando bom número de regras e contestando tudo que se conhecia até então, a obra causou um escândalo memorável na capital francesa, em que a platéia, diante de tanta revolução artística, não aceitava o que ouvia e via. A rejeição se reforçou pelas inovações de linguagem que Nijinsky incorporou à coreografia, valorizando movimentos "rústicos" inspirado em hierógrafos e pinturas em pedras de homens da caverna. Durante a apresentação não faltaram vaias, e o próprio Diaghilev, produtor, chegou a acender as luzes da platéia numa tentativa de conter um pouco o caos que se instalou. Não tendo surtido muito efeito, a agitação continuou e marcou tanto a estréia que até hoje a peça é considerada uma das mais controvérsas obras na história da arte. Controversa por que, a despeito de suas novidades, ainda é muito prazerosa de se ouvir: o que não aconteceria alguns seguidores do atonalismo após o grande músico da Revolução Russa. Este vídeo trata-se da coreografia de Maurice Bejart. Infelizmente não temos os créditos dos intérpretes musicais. O grande Béjart, pra variar, consegue mais uma vez transcrever e potencializar os sentimentos musicais a sua coreografia... digamos até mais: ajudando a compor a música de Igor, através de sua leitura corporal.
Lindooo
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