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terça-feira, 30 de junho de 2009

Schubert - Erlkönig (O Rei dos Elfos)



Este Lied schubertiano é uma das peças que pode mostrar muito bem a capacidade interpretativa e musical de um cantor. Isso porque o cantor deve interpretar quatro personagens: o narrador, o pai, o filho e o Rei dos Elfos. Como não é uma ópera e, portanto, não tem cena, essa interpretação se dá através da mudança dos timbres e da expressão do cantor. No youtube, vocês podem encontrar outras interpretações de grandes cantores, como Dieskau (impecável, acompanhado pelo piano, que é a escrita original) e Jessie Norman (em uma gravação um tanto quanto teatral e exageradamente composta por caras e bocas, porém vocalmente perfeita). Nesse caso, temos Anne Sophie von Otter acompanhada por uma orquestra regida pela batuta de Abbado (em uma transcrição de Liszt). Os créditos deste texto e tradução pertecem ao seguinte endereço virtual: lisapingo.multiply.com. Observemos o calvagar dos violinos, simolizando a fuga do Pai. Observemos ambém a dramaticidade da obra nos momentos de maior tensão do texto. Absurdamente emocionante!

Der Erlkönig – Goethe (Letra Original)


Wer reitet so spät durch Nacht und Wind? /Es ist der Vater mit seinem Kind; /Er hat den Knaben wohl in dem Arm, /Er faßt ihn sicher, er hält ihn warm. //"Mein Sohn, was birgst du so bang dein Gesicht?" /"Siehst, Vater, du den Erlkönig nicht? /Den Erlenkönig mit Kron und Schweif?" /"Mein Sohn, es ist ein Nebelstreif." //"Du liebes Kind, komm, geh mit mir! /Gar schöne Spiele spiel' ich mit dir; /Manch' bunte Blumen sind an dem Strand, /Meine Mutter hat manch gülden Gewand." //"Mein Vater, mein Vater, und hörest du nicht, /Was Erlenkönig mir leise verspricht?" /"Sei ruhig, bleib ruhig, mein Kind; /In dürren Blättern säuselt der Wind." //"Willst, feiner Knabe, du mit mir gehn? /Meine Töchter sollen dich warten schön; /Meine Töchter führen den nächtlichen Reihn, /Und wiegen und tanzen und singen dich ein." //"Mein Vater, mein Vater, und siehst du nicht dort /Erlkönigs Töchter am düstern Ort?" /"Mein Sohn, mein Sohn, ich seh es genau: /Es scheinen die alten Weiden so grau." //"Ich liebe dich, mich reizt deine schöne Gestalt; /Und bist du nicht willig, so brauch ich Gewalt." /"Mein Vater, mein Vater, jetzt faßt er mich an! /Erlkönig hat mir ein Leids getan!" //Dem Vater grauset's, er reitet geschwind, /Er hält in Armen das ächzende Kind, /Erreicht den Hof mit Müh' und Not; /In seinen Armen das Kind war tot.

O REI DOS ELFOS - (tradução de Ticiano Biacollino)

Quem cavalga assim tarde em meio à noite e ao vento?
É um pai que traz consigo sua criança;
Leva firme nos braços o menino,
Aperta-o contra o corpo e o guarda aquecido.

“Filho, por que esconde com medo o rosto?”
“Não está vendo, papai, o Rei dos Elfos?
O Rei dos Elfos com sua coroa e cauda?”
“Meu filho, é só uma faixa de neblina.”

- Ei, adorável criança, venha, venha comigo!
Tantos jogos divertidos podemos jogar juntos;
Há muitas flores coloridas na beira da praia,
E minha mãe tem guardadas várias roupas douradas

“Papai, papai, você não está ouvindo?
Tudo o que o Rei dos Elfos me fala sussurrando?”
“Calma, fique calmo, meu pequeno:
Entre as folhas secas sopra o vento.”

- Belo garoto, vem comigo, não quer vir?
Minhas filhas cuidarão de você muito bem;
Minhas filhas estarão ao seu lado à noite
E vão dançar e cantar até você dormir.

“Papai, papai, não está vendo bem ali
As filhas do Rei naquele canto escuro?”
“Filho, meu filho, do que vejo estou seguro:
Ali brilham os velhos e cinzentos salgueiros.”

- Eu te amo, me agrada esse belo rosto;
Mas se não vem por bem, o trago a contra gosto.
“Papai, papai, agora ele está me puxando!
O Rei dos Elfos está me machucando!”

O pai, horrorizado, cavalga veloz,
Nos braços traz o agonizante menino;
Aflito e cansado, a casa alcança:
Em seus braços, morta a criança.

Weslay Mendonça

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